Cheguei de mansinho e sussurrei-te ao ouvido. Éramos felizes. Davas-me a possibilidade de um aconchego cada vez mais quente todas as noites em que me deitava a teu lado, de rastos, depois de mais um dia apressado. Deliciava-me lutar contra o tempo só para chegar perto de ti e sentir aquele teu olhar carregado de amor. Acariciavas-me todas as manhãs e fazias de mim tua rainha. Meu abrigo, meu amor, minha vida. E amava-te eternamente, mesmo que isso implicasse apreciar o jeito indelicado com que por vezes me magoavas. Mas, todas essas vezes, o teu arrependimento multiplicava-se no medo que demonstravas em me perder. Ansiava pela nossa eternidade, pelos nossos lençóis desarrumados e os risos abafados na pele de cada um de nós. O piano embalava o nosso sono, à medida que, de um jeito majestoso, colocavas os teus braços à minha volta. E mordia-te os lábios só para que me dissesses uma vez mais que era eu a tua leoa, que a nossa savana era a mais bonita de todas e que um dia teríamos por aqui um maravilhoso Simba, saltitando e fazendo com que o amor existente nos nossos serões triplicasse. De volta à minha realidade, eu lá suspirava, desejando que um dia fosses mais que um sonho.
