É difícil de aceitar a necessidade de amor que persiste. Olho-o tentando omitir qualquer tipo de sentimento, quando, na verdade, a vontade de o abraçar é tanta, que se desfaz em silêncios profundos. Preciso de cessar o espaço no coração que permanece em sua homenagem. A alma vagueia tentando dissuadir esta ideia de o ter de novo. A cabeça esclarece a razão, mas o coração está cego. Já não quer saber de erros, consequências ou falhas, só planeia ser amado. Mas engana-se sempre que volta aos batimentos ternurentos, cheios de nostalgia. A ilusão apodera-se do desenho que a mente insiste em traçar, com linhas curvas e traiçoeiras, sem rumo nem destino. A grafite do lápis dá inúmeras voltas sobre si mesma, e até o papiro se revolta. Desfaz-se assim, sem mais nem menos. Enunciava que não tinha a intenção de causar uma outra esperança sem fundamento. Os lápis de carvão caíam da mesa, provocando uma enorme desordem no quarto. Percebia que o corpo reagia à minha pouca intuição no amor e não acreditava mais nos meus instintos de amante persistente. Já sei, já sei... Agora a razão governará a mente e o coração será posto de lado.

