quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Profundamente Azuis #2


E à medida que o tempo ia passando, ela preocupava-os cada vez mais. Mesmo sem saber, geravam-se imensas conversas entre o seu círculo de amigos, que revelavam uma honesta vontade de a ajudar.
Certo dia, um dos seus amigos mais próximos decide aproximar-se da sua carinha triste, levantar-lhe o queixo, e falar com ela.
- Teresa, é hoje que me vais contar o que se passa?
- Oh, não sei… Não te quero preocupar… A época de exames vai começar e tu tens mais com que te importar…
- Ouve, eu é que sei com o que me preocupo e quando o faço. E, neste momento, o que me importa és tu e o teu bem estar. Estaria muito mais preocupado ao ver-me sem nada poder fazer para tratar desses olhos chorosos! – respondia ele, quase como se tratasse de uma justificação.
- João, não vale a pena… Eu agradeço-te por te importares, mas não quero mesmo ser um peso para ti… - repetia Teresa, sempre hesitante. 
- Por favor, fala comigo. Essa tua maneira de estar e ser todos estes dias seguidos está-me a deixar mesmo fora de mim! Não falas connosco, foges de tudo e já nem pareces a mesma nas aulas. Quero ajudar-te a formar um novo sorriso. Só te peço uma conversa Teresa, uma conversa. Será pedir muito?
Ela não lhe respondeu. Limitou-se a abraçá-lo e, sem dar por isso, iam-lhe caindo lágrimas dos olhos. Tal demonstração de tão tamanha amizade comoveu-a bastante. Sentia de novo o coração cheio, embora desta vez fosse de um carinho tão sentido como João o sentia. Não queria falar, ela só queria agradecer-lhe sem palavras.
- Não quero que te sintas obrigado a nada, João. – insistia ela mais uma vez.
- Por esse abraço tão necessitado, só me fizeste ter mais certezas de que precisas realmente de uma ajuda como a que te quero dar, sincera. Então vá, conta, prometo guardar para mim e proteger-te de tudo.
- És realmente alguém de outro mundo. Nem sabes o quanto te agradeço por todo o apoio, a sério.
Ainda perdida em algumas lágrimas, começou-lhe a contar toda história em que se sentia encurralada. O amor que outrora havia era tão evidente que até João conhecia. Ele sabia bem reconhecer o sentimento dela, de ter perdido a sua alma gémea. Percebia o sofrimento, mas queria vê-la livre dele.
No dia seguinte, a terapia de uma conversa bem acompanhada de conselhos surtiu efeito. Os suspiros eram menos e mais curtos. A vontade de seguir em frente tinha finalmente nascido. Teresa entendia agora o quanto uma conversa destas a teria livrado da assaz mágoa sentida em todos os pontos da sua mente e coração.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Profundamente Azuis #1


Por mais invulgar que parecesse, não passava de um coraçãozito de flor murcha. Esperava por alguém que o reanimasse, fazendo-a sorrir. Teresa queria voltar de novo à felicidade que um dia havia vivido. Sabia, contudo, que com ou sem a sua alma gémea, teria de continuar o glorioso caminho percorrido até agora. Pedia, inconscientemente, um retorno à emoção, à sensação de coração cheio, ao calor da sua alma. Chorava ansiando mais um carinho, mais um sinal dele. Mas não valia de nada. Vivia os dias de escola com um sentimento de revolta que não ia embora. Dignava-se a observá-lo enquanto ele percorria os imensos corredores, desejando, ao mesmo tempo, estar a seu lado para lhe poder agarrar a mão com muita força e impedi-lo de ir embora. E o quanto ela sofria… O que lhe doía mais era o facto de ele nem sequer ter a amabilidade de a olhar nos olhos. O simples movimento que ele fazia ao baixar a cabeça, destruí-a por dentro. Dava pena de ver a sua reação naqueles olhos azuis profundos. Teresa lutava com imensa força para superar tais sentimentos e ânsias, mas parecia nunca chegar. Custava-lhe ter, simultaneamente, vontade de não o amar e de o amar no seu íntimo. As lágrimas não conseguiam afogar toda a mágoa. A névoa no céu era incapaz de, alguma vez, lhe apagar as recordações que ele trazia tatuadas no seu ser. Contava, agora, com o tempo, o seu amigo e conselheiro, que a ajudava a carregar as pesadíssimas recordações.
Não pretendia preocupar os seus amigos com tais histórias e dramas, pensava ela. Não via em si nem nas amizades que suportava motivos para partilhar tristezas, nem mesmo como método de aconchego ou forma de cicatrizar feridas. E tão enganada que esta doce menina estava... Tão inocente, tão ingénua para o mundo em que vivia. Precisava de alguém em quem confiasse, de uma boa conversa e de um abraço amigo. Mas nem ela sabia disso. Teve, no entanto, a sorte de trazer com ela uns amigos de grande coração, sempre com algum espacinho para ela ocupar. Preocupados, amáveis, uns doces. Tão bem que ela os sabia escolher.

(Estive imenso tempo à procura de uma imagem que ilustrasse realmente este texto, não encontrei nenhuma e ficou esta, desculpem a qualidade. Gostaram? Espero que sim! Prometo-vos algo que vos envolva e vos deixe ansiosos pelas próximas partes! Beijinhos e boa semana **)