
Fico cansada, chateada, revoltada com o Mundo. Tenho vontade de cair e ficar no chão, deitada. Não quero saber de mais nada senão da minha solidão. Desiludo-me a mim própria. Preocupo quem mais importa, faço-os perder tempo com lamentações e carinhos acrescidos. A minha desilusão aumenta. Deixo o tempo passar. Penso nele, penso em mim e apercebo-me que o "nós" desapareceu como por magia. Levanto-me e entendo que parada não continuo. Regrido um pouco, mas evoluo de seguida, instantaneamente. Já é possível desenhar-me um sorriso na cara. No fim deste ciclo, saio de casa e deparo-me com a mesma Avenida, no mesmo local. Alguns estabelecimentos novos, mas nada de mais. A população não aumenta e as nas suas caras estão ressentidas das bem demarcadas e repetidas rotinas. Penso em mim, mais uma vez, e entendo que não passo de um ponto neste grande Universo. Um ponto que se desviou pelo novo rumo do vento. Foram cruzados caminhos, linhas, que se continuam a salientar. Mas, no fim de tudo, para que importa tal sofrimento tão sentido? Cresci no meio de pessoas já crescidas e ainda outras que crescerão mais tarde. É a ironia da vida que faz o mundo girar. Amanhã, mudamos de sentido.