domingo, 17 de julho de 2011

Aquela que não perdura

(...)
E quando o seu mundo parecia estar a desmoronar-se, ela pensou no que a fazia mais feliz no meio de todos aqueles problemas. Queria, à custa toda, descobrir algo que a mantinha tão alegre e ocupada que não a deixava nem cair um segundo em si e sentir-se só. Apenas porque não precisava de mais ninguém. A dançar, ela sentia-se grande e liberta, ganhava asas. Não havia, possivelmente, outra maneira de o fazer. Tinha de o fazer ali e naquela altura. Era uma obrigação ser feliz e, só o facto de a deixar naquele estado de total desprezo para com o resto do mundo, trazia a felicidade de volta, aquela de que tanto precisava. Não importava o estilo ou mesmo o quanto tola ela parecia a fazê-lo porque, na verdade, ela podia ser tudo o que quisesse naquele tempo sagrado. A pequena menina revelou-se grande, alta, enorme, abominável, maravilhosa. Conhecia-a cheia de sorrisos e contemplei-a enquanto a música durou.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vontade súbita

Difícil de encontrar, fácil de reconhecer. Bastante trabalhoso e exigente para se amar, ainda mais para se esquecer. Envolto em demasiados trava-línguas e com pouca vontade de se exprimir. Desejado com saudade, ansiedade e receio. Simplesmente simples, humano. Levando uma conversa com o vento e todos os remorsos com a chuva, não importando qualquer que seja o estado de espírito. Sério nos dias de frio e engraçado quando o calor começa a apertar. Reflexo de um autêntico rapazinho da cidade. Ternurento e capaz de passar horas a acariciar a sua menina. São o retrato um do outro. Não se largaram, nunca se esforçaram para o fazer. Sentem-se felizes e completos assim e, de qualquer das formas, ninguém conseguiria destruir a sintonia já criada e bem crescida. Têm uma vida, uma história que não conseguirão mais apagar. Nem sequer pensam na vida sem o outro. É nestes momentos que penso «Também quero!».


(e não tenho vergonha de o dizer, quero mesmo!)