São duas chávenas, três canecas e quatro colheres, um conjunto que nunca foi tal coisa. Existem lençóis verdes, fronhas beges e um cobertor preto, que lembra a melancolia de um ser nocturno. E lá nos encaixamos nós dois, no meio da confusão, das diferenças. Mas eu estou cansada, tu estás exausto e, por isso, deixamo-nos cair neste monte de lençóis tricolores, às riscas e com milhentos padrões. Tão bem que os sabemos abraçar! Ansiávamos há muito por um descanso juntos que, depois de muito tempo, acabou por chegar. As tuas pálpebras desejavam, suplicavam por tal aconchego. No entanto, o meu coração sentiu um vazio. Gostava bastante do olhar que o ocupava, o teu olhar, que estava agora escondido. E a cabeça não foi menos queixosa: tinha apenas as memórias dessa expressão tão sublime e única que soltas quando sorris. Adquiria finalmente uma razão para te acordar. Não o poderia fazer de qualquer maneira, pois a minha intenção sempre foi agradar-te. De mansinho, caminhei até ao quarto do lado e trouxe o pequeno rádio que lá se encontrava. Coloquei-o ao lado do teu ouvido e pressionei o botão até que o volume da música ficasse perfeito. Queria proporcionar-te um doce e leve acordar, e acho que até consegui. Abriste os olhos, com um simples movimento de pálpebras. De seguida, espreguiçaste-te e sorriste para mim. Disseste «bom dia, princesinha» e foi aí que não resisti mais. De tanta beleza e doçura, só soube dar-te um grande beijo e responder «bom dia, meu príncipe». Agora, só me falta trazer comigo o pôr-do-sol e dar-to. Devo-te o meu amor, para sempre.
Lamento imenso as poucas vindas ao cantinho, mas estou sem internet no portátil!
Faço tudo por vos deixar mais frequentemente pedaços meus, juro.
Beijinhos grandes, meus amores.
Joana

