quarta-feira, 6 de abril de 2011

Realidade emocional


No meio dos porquês da vida, reparei que se formou um remoinho no mar. Foram-se juntando as razões, tanto as do coração, como as da cabeça. E as sereias, revoltosas, fizeram dos seus cantos maravilhosos, algo tenebroso e ruim. Até os peixes se revoltaram. Mudaram os seus rumos e odiaram ainda mais os Homens. Houve um enorme e nunca visto número de naufrágios. Nesta história, não existia sequer uma Pequena Sereia. Curiosa e sábia, ela saberia certamente resolver a revolta dos mares e das ondas, das suas curvas invertidas e cada vez maiores. Mas, mais uma vez, eram os deuses que comandavam a guerra e, uma vez zangado e aborrecido, o Senhor dos Oceanos mandava seguidas e precisas ordens para a grande agitação dos ditos mares. O Pacífico tinha deixado de o ser: lá, a agitação era ainda maior. Uma vez em terra, os Homens desejavam vezes sem conta poder dominar algo mais que as suas criações, dominar também as criações da Natureza, dos deuses. Só tinham uma única e difícil alternativa: esperar que tal coisa acalmasse, esperar que o Senhor dos Oceanos tivesse algum tempo para reunir todos os seus sentimentos e perceber que, depois de um amor desfeito, tinha de ter tanta sensibilidade como os Homens. Iria chorar, ter aquela raiva dias e dias seguidos, mas não os afectar porque, afinal, nunca devemos culpar os outros pelas nossas desavenças. São coisas da vida que, pelos vistos, nos fazem crescer.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Desabafo à Primavera


Por aqui, faço de audiência. Vejo em cena amores feitos e desfeitos, então deduzo que a vida é um ciclo. Um ciclo de coisas que nos prejudicam e outras vezes beneficiam, por vezes um pouco repetitivas, que se compensam umas às outras. Sou capaz de num dia mandar ao chão um vaso, que eventualmente se parte, e trazer essa fragilidade para casa. A capacidade de ver o meu reflexo nos outros é misteriosamente desconhecida. A originalidade da vida é pouca. Nascemos iguais, crescemos e morremos da mesma forma. Mas é durante o amadurecimento destas flores especiais, que se notam as diferenças. Conseguimos perceber quem mais corre atrás dos sonhos e quem os deixa passar. Hoje vi um amor a ser largado, outro recuperado, e ainda um novo criado. Excluindo os diferentes níveis de enrequecimento, desconheço qualquer diferença entre estes três rebentos. Primavera, minha linda, fá-los crescer. Mostra-lhes as traições da vida e recomenda-lhes sempre o melhor. Leva de vez estas já murchas e falas adubar o solo (pode ser que cresçam de novo, quem sabe!). Faz um amor novo nascer.