
Não desvalorizo. Conheço os seus direitos e deveres e compreendo também que não tem cumprido alguns deles. Não sei se é por pouca vontade, simples preguiça, mas sei que deixou muita gente desejosa à espera do veredicto final. Qual seria? Haveria um final feliz ou algo dramático? Encheu-os de dúvidas, isso tenho a certeza. E então ela? Ela que estava no mesmo banco de jardim há mais de três horas, aguardando pela conclusão, pelo último beijo que chegaria ao mesmo tempo que a conclusão da sua história. Não foi fácil. O mês de Fevereiro parecia ter chegado ainda mais cedo. De um jeito quase que autoritário, mandou vir do palácio dos deuses os ventos mais ferozes alguma vez criados. A verdade é que era mais um que se juntava ao grupo dos sábios, estes que não queriam que aquela rapariga, doce e encantadora, esperasse um conto de fadas vindo de um rapaz como ele. Durante este gesto um pouco rude do tempo, o rapaz continuava em casa, dando uso à palavra inércia. Ele não fazia ideia de que, naquele momento, a falha das previsões meteorológicas se devia toda a ele. Fez o mundo revoltar-se por estar a fazer sofrer a menina adorada por todos. E ela continuava ali, sentada, esperando pelo rapaz que sempre amou,
porque quando amamos, esperamos.