sábado, 26 de fevereiro de 2011

Os saltos de Gabrielle #6


(...) Nunca tinha havido almoço que fosse devorado com tanta vontade e rapidez, caindo no estômago com uma satisfação extrema. Mas o que se seguia não era visto pelas garotas com tanta satisfação assim: a hora dos trabalhos de casa. É verdade, até as suas rotinas eram idênticas. Seguiam padrões, formas de ser, de vestir e de falar semelhantes. Sentiam-se como irmãs gémeas, mas não o eram. E só as vocações as conseguiam distinguir facilmente, pois cada uma tinha o seu jeito para um tema diferente e preciso. Gabrielle era a menina das Artes, envolvendo a arte de escrever, pintar, desenhar e esculpir. Ariana esmerava-se a estudar Matemática, Física, Química e Biologia. Completavam-se como um malmequer metade desfolhado.
Contudo, cada uma tinha de fazer o seu trabalho de casa e sabiam bem que aquela hora não era a indicada para esclarecer dúvidas e contar novidades à mistura, fazendo um simples, longo e demorado telefonema. E era isto mesmo que Ariana pensava quando o seu telefone tocou e o nome da sua melhor amiga apareceu no visor.
- Estou sim, Gabi? - disse ela.
Ouvia-se um choro baixinho, embrulhado em palavras que saíam trémulas do outro lado do telefone. Num ápice, Ariana revelou-se uma amiga bastante preocupada por tantos soluços ouvir, algo que não era muito normal de Gabrielle.
- Não te estou a perceber amiga, que se passa?
- Desculpa mas neste momento não consigo falar contigo Ariana, eu pensava que conseguia, mas não consigo. - respondeu a garota.
Ariana só se lembrava do eco do último "desculpa" que tinha ouvido antes de Gabrielle ter desligado o telefone, deixando esta ainda mais alarmada e confusa. A garota só pensava se tinha dito, feito ou ouvido algo que não devia. Automaticamente, associou aquele choro e tristeza a ela própria, pensando então que a dona da culpa era ela. Imaginou um tribunal, imaginou-se a si própria como sendo o réu. Declarava-se como inocente, sem hesitação alguma.
Ligou-lhe mais de 14 vezes, deixou-lhe 9 mensagens de voz, mas nada, nem sequer uma resposta. Só ela sabia o estado de nervos em que estava, é que nem fazendo os exercícios mais difíceis de Matemática se conseguia concentrar! Foi então buscar os de Física, mas, de novo, não foi capaz. Era um turbilhão de perguntas sem resposta a correrem no seu cérebro, sem qualquer destino.
Do outro lado, Gabrielle estava deitada, a chorar há mais de duas horas. A dor de cabeça era muita, e o sono acabou por conquistá-la, fazendo com que esta nem sequer jantasse.
Conto inventado e com continuação.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Os saltos de Gabrielle #5


(...) Envolvida na imensa inspiração que via nos cabelos longos de Ariana, a ideia de uma futura fama devido à pintura era dona dos pensamentos de Gabrielle. Esta, contava-o à amiga e dizia-lhe também que ela seria a musa dos seus primeiros esboços e estudos, do início da sua entrada no mundo das Artes.
Ao contrário da mãe, Gabi nunca sonhara ser famosa, mas, se assim acontecesse, ela aceitaria-o com a maior das certezas e simplicidades. A garota sempre achara que a seguir à fama vinha o abuso. Abuso de confiança por parte dos jornalistas, abuso de intromissão na vida particular por parte dos paparazzis. A verdade é que nem ela nem a sua família gostavam de ter as suas vidas partilhadas por todo o mundo. Era então por isso que Gabrielle estava naquela escola. Em dezasseis anos, a nossa aspirante a pintora já tinha mudado de localidade nove vezes, mas só desta algo a ligava àquela : uma grande amizade que ela não acreditava encontrar em mais lado algum, Ariana.
Depois de passados trinta e cinco minutos, o desenho estava pronto. Era algo espantoso, algo para o qual olhávamos vezes sem conta por tantos pormenores que tinha, olhávamos para os observar e deslumbrar a toda a hora.
Mas as costas de Ariana já se queixavam, há muito que estavam na mesma posição!
- Gabi, se queres que continue a ser a tua modelo tens de ser mais criativa... Aliás, mais bondosa para mim!
- Eu é que sou a rapariga com a mãe famosa mas tu é que fases o papel de chique e picuinhas!
- Totó!
Como era habitual, de uma crítica as amigas faziam uma graça, algo que as descontraía e fazia sorrir. E eram felizes assim. Eram felizes estando uma com a outra, e cada vez mais. Tinham aventuras que davam vontade de rir, e uma delas foi naquele dia.
- E também já estou farta de andar de bicicleta. Isto é um pouco aborrecido...
- Outra vez Ariana?  Deixa de ser assim rapariga... Já pareces uma velha a falar!
- Pareço o quê?!
Gabrielle semi-cerrou o olho esquerdo e deitou a língua fora à amiga, em termo de gozo. Esta, rapidamente deu às pernas e foi atrás dela. Riam, riam, riam, riam, e não paravam de rir. A verdade é que pareciam umas meninas pequeninas num corpo grande. Tiveram também a bela ideia de saltar, saltar e fazer grandes figuras, aproveitar naquela altura que não estava ninguém a ver.
Por fim, voltaram a casa, cada uma na sua bicicleta, estafadas daquela manhã tão divertida. Mas tanta diversão não durou muito tempo, pois não há bem que perdure.
Conto inventado e com continuação.
(Peço imensa desculpa meus lindos, mas não tenho tido tempo nem disposição para vir aqui.
Contudo, vou tentando vir sempre que posso. Beijinhos **)